segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Alberto Caeiro

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


denise.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Manoel de Barros

O fotógrafo


Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou para mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski – seu criador.
Fotografei a nuvem de calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.


denise.

sábado, 29 de agosto de 2009

Fernando Pessoa

Temos, todos que vivemos
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

denise.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

tudo trancafiado. preso nas garras de uma rotina entediante.
almodovar nas veias de um sangue bacteriano. tubos fotografando meu interior. estara vivo ou morto? o que sinto na parte superior da lingua sera o refluxo de uma bacteria brincalhona que se diverte com a infelicidade alheia ou simplesmente um sinal de mudanca necessaria?
seguir pretendendo, enfiando cabeca em surpefluos problemas ou seguir viagem?
viagem intelectual, viagem criativa, viagem libertadora!

c.

viéses filosóficos

Quando falamos em Filosofia, é impossível não levantar questões sobre sua particularidade e sobre os seus usos. Desde seu princípio, a filosofia busca encontrar a verdade (do Grego Aletheia) à luz da razão (logos). Mas durante o caminho de seu desenvolvimento, em toda História da Filosofia, muitas verdades foram levantadas e muitas também foram as contestações sobre estas verdades. A Filosofia tem, genuinamente, dentro de suas várias e controversas correntes de pensamentos, a característica de conceituar valores e, também, de criticá-los. Não é uma ciência onde se decoram fórmulas de conceitos. É um conjunto de conhecimentos que busca a legitimação racional do saber.

Todavia, por que a Filosofia e toda sua busca por verdades, criação de conceitos e críticas faz-se tão necessária dentro de uma sociedade humana?

A sociedade precisa da Filosofia? Por quê? Crê-se que uma sociedade capaz de fazer a manutenção de seu conjunto de valores, é uma sociedade aberta ao diálogo e apta à construção e desconstrução de conceitos. E uma sociedade capaz de dialogar, é autônoma no gerenciamento de seus valores morais e princípios éticos. Conhecer a História da Filosofia nos possibilita ver seus diferentes viéses e, desta forma, entender algumas de suas especificidades. A filosofia se mostra como um meio de alcançar maiores conhecimentos sobre o mundo e sobre a existência. A partir dela, podemos revelar as belezas, as bondades, as justiças e as injustiças que o homem comete em sociedade, além de desvelar certos segredos da natureza, que podem fazer com que encontremos uma harmonia maior com os cosmo e vivamos de forma mais salutar.

Nesse sentido é interessante nos debruçarmos sobre o papel da Filosofia na formação dos indivíduos. Trazer elementos a respeito de sua contribuição no ensino fundamental, médio e superior, principalmente discutindo o seu papel na formação humana, técnica, ética e estética. Quais as contribuições da Filosofia na construção do conhecimento? Paralelamente, o homem continua a buscar respostas a respeito da vida e de seu sentido. A Filosofia faz da busca por essas respostas (frente ao estranhamento do homem com o mundo) seu objeto de trabalho. Neste viés, seu papel está revestido de profundo e inegável valor.
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denise silveira

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Arthur Rimbaud

"Existiremos divertindo-nos, sonhando amores monstruosos, universos fantásticos, lamentando-nos e censurando as aparências do mundo, saltimbanco, mendigo, artista, bandido, - padre!"

denise.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

sombras de gaudí
















(...) Canto tu bello esfuerzo de luces catalanas, tu amor a lo que tiene explicación posible. Canto tu corazón astronómico y tierno, de baraja francesa y sin ninguna herida. Canto el ansia de estatua que persigues sin tregua el miedo a la emoción que te aguarda en la calle. Canto la sirenita de la mar que te canta montada en bicicleta de corales y conchas. Pero ante todo canto un común pensamiento que nos une en las horas oscuras y doradas. No es el Arte la luz que nos ciega los ojos. Es primero el amor, la amistad o la esgrima (...) (ODA A SALVADOR DALI, Federico García Lorca)



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denise.

terça-feira, 9 de junho de 2009




deixar o seu amor crescer na luz de cada dia.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Qual nossa maior virtude? Para mudar o que pode ser mudado, para buscar conhecimento e felicidade; qual a maior e melhor maneira que se pode ser feliz? Amando? Amando a nós mesmos e o mundo em que vivemos, teremos força de mudá-lo, revolucioná-lo e não cair na abjeção? Amando e respeitando as amizades que são fontes constantes de energia incentivadora sem as quais não seríamos amantes, pais, filhos, cúmplices, teremos companhia? Mas e a cumplicidade, é fundamental para um relacionamento positivo? É fidelidade? Para termos com quem contar sempre, precisamos acreditar em eternidade? E essa tal eternidade: palavra que sintetiza a existência, a alma imortal. Alma que depende dos amigos, do amor, para alcançar objetivos, do que ela é composta? O que buscamos tanto saber?
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denise silveira.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Arthur Rimbaud

" Quando somos muito fortes, quem recua? Muito alegres, quem cai de ridículo? Quando somos muito maus, que fariam de nós? Enfeitai-vos, dançai, ride. Não poderei jamais atirar o Amor pela janela."
denise.